sábado, 3 de março de 2018

Paulo Themudo - Artes e Letras

"Reflexão Introspectiva"


Pintura


Paulo Themudo | "Silêncio Nu"

Pintura


Escultura


O Beijo


Devir de Vir de Paulo Themudo na voz do Mestre Angelo Vaz

"Um Punhado de Sombras"

“Um Punhado de Sombras”

Vem, a criança, eterna em mim, desvendar-se nos tantos tempos que simulei…

Parei de crescer quando me vi assombrado de dúvidas, quis do meu pai mais, modificar-lhe o ser, não, desastrado resguardei-me nos medos infantis, desenhei-me levando aos olhos um saber desabitado, negro, insípido, as moradas certas de gente errante eu vi…

Corri os mundos desvendados deste ser que sou, entreguei-me pedinte nas mãos eclesiásticas do saber, desastrado, de novo, um mar de ondas desatinadas bebe-me da voz que grita num deserto de sede.

Os tantos lugares por onde passei, vi-me descer á terra sem saber, vivi de monstros, alimentei-me de fome, sonhei que podia ser, palavra pura absolvendo o pesadelo dos homens.

Uma fé desistia, um passeio de chuva, um desespero sofredor de alma escura, fui, sou, a criança despedindo-se da terra impura… 

Os medos…. 

Um punhado de Deus absolvesse o olhar que trago dormindo, acordasse o coração que se entrega miúdo, pedindo, clamando, carinho…
Um punhado dos meus mundos me fizesse fiel, me houvesse afundado no terror das ilusões, que entrega total me acorrentou num sol doentio, a luz esgana o poder destas mãos, abraçam, desejo de ser vivo na sede de um rio.

Meu punhado de sombras!...

É o tempo! O tempo que não vive…

Vem, a criança, eterna em mim, invadir a profundidade do meu eu, às pernas quebradas no sabor de um verso, desfalecer, no limiar das memórias, tempo percorrido, vem, inocente, dizer-me que sim, não houvesse eu sofrido, não mais viveria aqui, em mim.

Há esta dor desaguando os braços caídos, ligados à terra, destituídos, sem nada para aprender, dói-me, dói-me crescer…

Tantas magias deambulando marés vazias, sorrisos devoram o meu céu, viajei, parti, cheguei…
Vazio, evasivo, inconsciente da dor de ter partido, demente, desabituado do meu abrigo, magoado…

Um punhado de dor, transparência da minha pequena janela, corredor para uma galáxia de fantasias, os corredores das minhas veias singularizam as palavras que dei em demasia.

Eu, fui feito de circos, fui uma mentira usurpando dos quartos da noite, estrelas perdidas, fui, quando homem, dividido, uma besta mastigando de todos os caminhos, fui, uma minúscula gota bebendo de um oceano, fui o próprio rio das minhas palavras para tentar mudar o tempo, fui, doente desviando os corredores distantes do meu invento.

Fui um circo de medos espalhando dor, fui tempo despercebido clamando amor, fui fera revoltada aprisionado em mundos de terrores, estes… Estes foram alguns dos meus mundos!

Pergunto:

Não valerá mais a pena ser somente uma criança?

Um punhado de esconderijo abraça a porta de passagem do meu corpo terreno ao céu infinito, onde me espera um Deus de Olimpo.
Antes e depois, fiz-me no simbolismo da criança, princípio e fim.
A arena ensanguentada de momentos, dos meus momentos, gritam à minha volta as memórias dos tempos, gritam ordenando uma matança aos sentimentos… 
Os meus sentimentos.

Ao centro o palhaço sorri loucamente, sou eu, demente, perseguido por um punhado de respirações de gente, a terra abre-se para que eu passe, enfeitam-se árvores de vento com sorrisos de tempo… 

Criativo, meditativo, que me resta mais senão o chão sombreado, os punhos no 
Um punhado de vidas…

Um punhado de sombras!!!...

Paulo Themudo 
in "Um Punhado de Sombras" - Temas Originais (2010)

Pintura


Escultura



À minha volta… Nada!

“À minha volta… Nada!”

A estagnação… 
Um momento solitário compromete este refúgio que parede de água bebe com desespero de causa.
Desatentos, as lembranças, sustentam as garras enigmáticas da vontade eufórica, que tempo debita nas passagens silenciosas de um relógio.
A solidão, desequilíbrio, ter rumo incerto, aventuras desoladas, o coração sofre, entrega-se, as paredes choram desencantos do desejo amaldiçoado.
A barreira, comprometem-se nas mãos de um verso, as palavras, são fortes, humanidade surge de uma luz vibrante e remanescente, alteram-se as palavras sujeitas do meu testamento.
Sou morte vã, sou incoerência, por acaso, sou destemida sombra guerreira, lutando com os ventos, desencanto do sol, sou, prepotência sinistra do meu tempo.
Sinto… 
E como sinto as mãos que me agarram, que sufoco me oferecem os olhos, sou um monstro feito e consumido por palavras, ser terreno, abraçam-me as paredes loucas da minha demência.
Psíquico, pensamento insiste em perder-se, como eu, o corpo desce à terra lentamente, consumo do fogo carente, que são as lágrimas, incestos de um pequeno momento.
Deixo de mim… Tudo!
Solidão, falsidade, o mundo revigorado, entrego medos e desabafos, o homem corre procurando, cavernas do seu tempo são refúgio de sentimentos.
Que seja enigma, ou nada, sou ser que vive, sou espada, lâmina que trespassa sem misericórdia, saboreando sem dó o sabor das palavras.
É o medo que me dá forças, é o caminho que me devora, o tempo ausente é vitória, o estandarte, meu corpo flutuando no ar que demora.
Todos os caminhos se deitam, agora que os meus sonhos não acordam, que apenas os pesadelos tomam conta…
E este mundo!... 
Este pedaço de terra engana-me com belezas lúdicas, descalço corro as estradas perdidas, que foi mundo enclausurado nas desilusões do tudo.
Não tenho caminho, não, insaciado pelo beijo que me tomou, revolto-me, consumo com vontade do pecado, meu único vício, namoro corpos de verdade, sou carne, namoro os olhos cobardes das paisagens que devoram, o pouco que resta, do meu passado.
Somente guerreiro, o pesadelo entrega-me dos dias um silêncio, minha solidão premente, escrevo nas paredes a cor dos meus olhos, são lágrimas que vestem este quarto, onde resto eu, os fantasmas, as aventuras e o silêncio.
Meu lugar perante os homens, ser batalha, ser vontade, ter versos nos cantos da boca que saliva mastiga com interrogações de decência.
Sim, não vou remar a maré atordoada onde se afogaram as vozes do meu silêncio.
Não, não vou correr as mãos que adoram o tudo e o nada.
Ficam lágrimas insípidas, seguimentos de vida, ficam matérias de dor, ficam nas paredes abençoadas, regadas com palavras, um pouco… 
Um pouco humano. 
Um pouco de louco.

Paulo Themudo 
in "Devir de Vir" |Temas Originais - 2009

Pintura


Pintura


Dói Gritar

“Dói Gritar!”

Faltou-me verdade nas veias negras do mistério, para te olhar.
Há um caminho indeciso a nascer, abruptamente se abrem portas desconhecidas fingindo ser para parecer, de mim se despedem as ilusões todos os dias, deita-se e nasce o sol bebendo das minhas indecisas palavras, misterioso é o sorriso quando os lábios deleitam corpo com sede rouca da voz magoada onde madrugo.
Não tivesse pensamentos aflitos a chamar por mim, ou, por ti, não viessem estes fantasmas abraçar-me com dor, que os gritos alimentam horizontes feridos onde nasci e parti para conhecer.
As guelras de um animal monstruoso respiram silêncio onde me habito, a minha casa são os dias roubando e contando minutos para nascer e me fazer, tenho figuras humanas aos gritos na cabeça distanciada de universo, um todo, agora que o corpo se decompõe deixando para trás fragmentos de memórias.
São cinzas que as mãos largam desinibidas, semeando pegadas os pés agarram estrada, tenho mundo aos gritos para meu delírio e tenho silêncio como martírio e tenho homem agarrando todos os pedaços de tempo para não mais ser atingido, perseguido...
Inimigo das forças de um vento, compõe este rio maravilhoso uma canção de partida, chega-me despedida deste mundo para não mais ver, cegueira será certamente feita das minhas palavras, das que se perdem sem ver, das que rasgam para não morrer, das que me intrigam para nascer...
Outra vez.
Vejo-te rosto velho, mirrado, tantas dores para beber, silêncio confundindo vida com morte, tenho-te dentro de mim aos gritos, tenho-te dentro de mim a correr corredores aflitos, tenho-te do tamanho do universo a angustiar o que resta de homem, de ser, dos gritos...
Como me dói a vida que ensina, tão farto do teu fardo nas costas pequenas, que o peso do mundo se esvai dos olhos crucificando os pés delirantes de uma caminhada insatisfeita, tenho-te nas minhas palavras afugentado e agora bebo-te com um sentimento pleno, com medo, agarro-me esperançado aos minutos redutos de um tempo.
Houvesse em mim mais para te dar que um abraço não seria mais que um fracasso, tenho-te nos rios da minha imaginação a plantar terras desertas, tenho-te chorando nas paredes de um quarto de silêncios, medos e gritos.
Tenho-te agarrado ao meu nascimento, ás memórias de um tempo, enganado nas palavras assustadas de um momento, tenho-te homem dilacerado no vento, comido nos raios de sol, dormindo nos infernos do pensamento, tenho-te meu, tenho-te carinhosamente nos meus olhos abraçando, tenho-te palavra e homem, velho, para nascer e crescer.
Custa-me tanto desprender-me, enfurecer-me, gritar-te aos ouvidos sem medo, acordar-te do sono profundo de silêncios...
Custa-me tanto entender-me e entender-te, custa-me tanto ser teu...

Teu filho.

Paulo Themudo 
in "Silêncio Nu" - Temas Originais (2010)

Escultura



Pintura


Currículo

Nasceu a 20 de Outubro de 1968 na Cidade de Matosinhos - Portugal.
Aos 8 anos de idade descobre em si especial apetência para a criatividade artística, brincando com aguarelas e guaches, assim como, o gosto pela escrita desenhando com imaginação inocente os seus textos em folha de papel.

Tem já publicados diversos títulos e participado em algumas antologias poéticas.

A sua obra plástica tem como principais características a força e intensidade na expressão, o abstraccionismo, caracterizado pelo movimento que transmite, pleno de sensações. Quase não acusando quaisquer influências.

A técnica utilizada é de um estilo muito próprio, que tendo como base a pintura a óleo é complementada com os mais diversos materiais como gesso, areias, colas, madeiras, etc.”

Por opção criou o seu próprio Atelier, a fim de poder desenvolver mais os seus trabalhos, com maior liberdade.

Exposições Recentes
Forum da Maia - Cidade da Maia
Biblioteca Municipal Florbela Espanca - Câmara Municipal de Matosinhos
Instituto das Artes e Ciências - Fundação Dr. Luís de Araújo - Cidade do Porto
Centro Cultural da Nazaré – Menção honrosa com a obra “Escrita”
2009

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